Oi pessoal, tudo bem?

Vou levantar esta questão aqui de uma forma curta e grossa: vocês estão notando que a formação acadêmica atual está simplesmente horrível?

Aqui segue um relato: nos últimos processos seletivos da itexto para desenvolvedores em início de carreira temos como requisito a pessoa estar recém formada ou cursando o último período do curso universitário relacionado à computação. Neste processo, fazemos uma boa quantidade de entrevistas e tenho notado que as pessoas saem sem saber o essencial.

E por essencial quero dizer esta pergunta: "o que é uma estrutura de dados? Cite ao menos duas descrevendo-as e diga aonde poderiam ser aplicadas."

(detalhe: eu não faço mais provas escritas, todas são orais justamente para poder extrair conhecimento do candidato)

São três perguntas portanto. De um total de 50 entrevistas, 92% não souberam responder "o que é uma estrutura de dados? Cite ao menos duas". Claro, isto ocorre em Belo Horizonte, não sei como está em outros estados.

Não saber citar ao menos 2 já me choca, pois se você viu na faculdade, sabe ao menos o nome de uma se levou bomba na matéria. E é aí que a coisa fica assustadora, quando percebo que a maior parte das pessoas que respondem a esta questão estão terminando o curso sem repetir matéria alguma.

Vocês estão vendo este tipo de comportamento também?

Ok: parte da culpa na formação (a maior) é do aluno. Mas não saber sequer o nome da coisa apresenta uma boa parcela de falha na instituição de ensino também.

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Respostas a este tópico

Com certeza Henrique, temos visões diferentes. Como falei, os melhores programadores que conheci não aguentaram ir perder tempo na faculdade. Eles aprendiam lendo por fora. Eu quase desisti também, mas como eu fiz pública e não pagava, fui até o fim pelo diploma sim. Se você usa algoritmos e estruturas de dados complexas desenvolvendo aplicações comerciais, conte-me onde você trabalha, porque nesses anos todos não vi isso, e olha que trabalhei em empresas de vários portes, inclusive na bolsa de valores e no Itaú. O que eu aprendi, aprendi no colegial técnico, talvez por isso ache a faculdade uma falha. Levou o dobro do tempo e não teve a mesma qualidade. E aprendi muito cedo a me virar, e isso não foi na faculdade. E não aprendi disciplina na faculdade, passei com um pé nas costas, exceto cálculo I, não fui a única mas é porque meu professor não batia bem, sério... 

E não, não gostaria de trabalhar com alguém que aprendeu o que sabe na faculdade. E sério que você usa a matéria de compiladores para algo útil? Não aprendi sobre autômatos na faculdade, mas nunca me fizeram falta. Às vezes penso que devia ter feito ciência da computação. Mas só às vezes, mas acredito que seria mais por puro deleite do que para aplicações práticas.

Agora não conheço uma faculdade que ensine sobre SOLID. Que ensine orientação a objetos de verdade. Que ensine sobre como trabalhar com TDD, BDD e DDD. Sinceramente, isso teria feito a diferença. Custou caro aprender sozinha.

Oi Vanessa, sim, aonde trabalho uso tudo isto e muito - http://www.itexto.com.br - aliás, abri a empresa justamente pra isto e vamos bem graças a esta postura que nos diferencia bem no mercado.

Sobre compiladores, se você já precisou implementar um protocolo de comunicação, talvez já tenha tido de usá-lo, isto sem mencionar os diversos usos com linguagens específicas de contexto, processamento de linguagem natural. Se te contar que já usei cálculo então você terá um piripaque aqui. :)

Mas sua argumentação é interessante. Você diz: "não gostaria de trabalhar com alguém que aprendeu o que sabe na faculdade". Como sabe a origem do conhecimento alheio? E por que isto seria ruim? Existe uma fonte de saber superior? 

O grande problema que vejo na sua argumentação é que você não está vendo o valor destas coisas "inúteis" que menciona. Mesmo que você jamais as use elas te fornecem material de extremo valor para que pense os problemas de uma forma mais rica, diferente da mentalidade CRUD que é bastante limitada.

Estou utilizando o mesmo pressuposto seu de que eu só programo CRUD :D
E não, não teria um piripaque, vi usuários com formação matemática fazendo miséria em Excel em instituições financeiras.
Acho que cada um vai atrás do que precisa em seu contexto, não conheço de compiladores, mas conheço de mercado financeiro. Até entendo que você use cálculo, não digo que não é possível, mas não sei porque isso é mais importante do que aprender a fazer código bom. Cálculo é bem específico, orientação a objetos é muito mais aplicável. A sua consultoria é exceção, e você sabe disso e deixa isso claro. Digo que quem aprendeu o que sabe SÓ na faculdade acho muito pouco. Estou há 16 anos do mercado e vejo sistemas indo de mal a pior. Achei que a faculdade servisse para evitar isso, mas não é o que acontece. As pessoas se formam e não aprendem como fazer software bom, aprendem if, for, talvez até autômatos e cálculo, mas esse conhecimento mais sofisticado não é utilizado, e o básico não é ensinado.
Você acha que quem não faz faculdade faz CRUD, e eu vejo o contrário. Acho que se estamos falando de preparação, a faculdade não está preparando bons profissionais, mas eu acho que isso é a regra, e você acha que isso tem acontecido agora. Talvez porque agora você saiba e quando fazia faculdade não sabia, mas no meu caso quando entrei na faculdade eu já conhecia os assuntos ensinados. Talvez faculdade seja inútil para quem já trabalha na área e fez um curso técnico, que é o meu caso.

Vanessa, suas últimas colocações sobre a faculdade foram muito melhores, você está dizendo a mesma coisa que o tópico diz, que a faculdade não tem se dado ao trabalho de garantir a formação básica dos profissionais. De fato, é o mesmo sentimento da maioria aqui. A instituição tem que garantir isso. Agora dizer que ela não é necessária, é acreditar que como está, já está bom o suficiente.

Todo conhecimento relacionado a software é relevante, pode não ser para o seu trabalho hoje, mas pode ser amanhã, e dizer que a instituição que deveria dar as bases e apresentar novos horizontes para seus alunos não é necessária, é assumir que apenas o conhecimento empírico resolve todas as situações possíveis.

Lembrei do tempo do COBOL (tenho 53 anos de idade, rssss). Programadores que conseguiam implementar um programa com recursos exóticos da linguagem, mesmo já existindo "bibliotecas" utilizando formas simplistas de codificação, eram os programadores extremamente respeitáveis.

Mas concordo com o Henrique e com a Vanessa. Vejo o problema não somente nos desinteresse por parte dos discentes em "correr atrás" e ampliar a base recebida na faculdade, mas vejo a deficiência nos corpos docentes presentes hoje em dia em nossas faculdades. Alguns docentes mal sabem exemplificar "estrutura de dados" além das duas mais exemplificadas nos livros. E se pedir para implementar fisicamente tal, não sabem por onde começar.

Outro problema, para mim, está no desconhecimento do corte epistêmico de cada formação. O "novato" não tem a mínima ideia sobre a diferença entre sistemas de informação, tecnologia da informação, gestão da informação, ciência da computação, engenharia da computação. E por aí vai. 

Kiko,

Já venho acompanhando sua luta pra achar um estagiário por algum tempo e acho que talvez você deva considerar a hipótese de ou contratar um pleno / sênior que em tese está pronto ou treinar um Júnior.

Seja você a "instituição de ensino" e deixe isso claro na contratação . Pegar um estagiário e jogar um sistema na mão dele é pedir pra ter problema. ABS

Oi Leo,

este problema eu até resolvi em grande parte, inclusive a questão do pleno/sênior.

O que realmente me choca é o pessoal sair da faculdade sem saber o essencial e, ainda pior, sem nunca ter repetido uma matéria sequer!

Fiz quase 10 entrevistas técnicas para vagas abertas aqui na IBM, candidatos majoritariamente de RS, mas alguns de SP e RJ também.

Fiquei completamente chocado com o baixo índice de gente que sabe como escrever uma query SQL que retorne o número de registros de uma tabela onde a coluna X seja 1.

Alguns com currículos relevantes.

De forma que, sim, eu acho que a educação não é levada à sério por aqui.

Em breve seremos engolidos pelos chineses.

Oi Henrique, muito boa a sua questão. E é realmente um problema. 

Aqui na minha empresa após várias análises, percebemos que contratar novos profissionais baseado no critério: "estar recém formada ou cursando o último período" não era uma boa estratégia. Percebemos que contratar estagiários em períodos mais iniciais dos cursos acavam trazendo mais resultados, tanto para a empresa quanto para o futuro profissional. Obviamente, no inicio não se pode cobrar muito desse perfil. No entanto, percebemos que a medida que eles vão entendendo o ambiente de TI, eles vão melhorando em vários aspectos e aproveitando ainda mais o respectivo curso (ciência da computação, sistema de informação...). Na minha opinião as atividades práticas do dia dia de uma empresa de TI acaba por incentivá-los-los a absorver melhor o conteúdo teórico ensinado na academia. Já tivemos várias situações onde o estágio gerou situações do tipo: O aluno mudar de curso ao perceber que ele não tem perfil para TI, o aluno mudar de instituição ao verificar que a instituição não lhe dará a base necessária, ou na maioria das vezes, ele dá maior enfase aos estudos ao verificar que será realmente aplicado no dia a dia. Em fim, é um tema complexo e as três partes (aluno, instituição de ensino, empresa) precisam fazer sua parte.    

 

Muito bom Sândalo, acredito muito nisso, quem vai ficar na área e vai ser bom dá para saber desde o começo do curso, e é muito melhor para a empresa formar esse profissional.

Concordo com você no que diz respeito ao incentivo que o trabalho prático trás ao aluno: é quando ele pode comprovar se é ou não a praia dele.

No entanto o foco não é a estratégia de contratação: é o fato das pessoas estarem pagando caro por uma faculdade e saindo sem saber da existência do básico.

Bom, tenho uma visão bem diferente dos demais. Acho que muito da má formação dos profissionais de TI se deve ao contexto econômico do nosso país. A pessoa passa em um vestibular de faculdade privada e tem uma mensalidade altíssima pra pagar. Assim, geralmente ele não pode estagiar no início do curso, pois o valor pago na maioria dos estágios sequer cobre a mensalidade, porém existem inúmeros outros custos, como alimentação, transporte, livros, etc. Assim a pessoa acaba trabalhando em outra área pra poder pagar a faculdade e não tem a oportunidade de estagiar, de aplicar aquilo que ele está aprendendo (ou que deveria estar aprendendo).

Como resultado, formam-se pessoas que muitas vezes não puderam investir num inglês, pessoas que não tiveram tempo de aprofundar lendo material complementar, pessoas que não aplicaram o conhecimento aprendido no momento de fixá-lo. Claro que isso não é desculpa, mas se a pessoa não tiver uma vontade sobrenatural, nesse contexto, ela infelizmente se formará com vários déficts.

Obs.: Existem inúmeros outros contextos, mas acho que este é a realidade na maioria dos casos.

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