Oi pessoal, tudo bem?

Vou levantar esta questão aqui de uma forma curta e grossa: vocês estão notando que a formação acadêmica atual está simplesmente horrível?

Aqui segue um relato: nos últimos processos seletivos da itexto para desenvolvedores em início de carreira temos como requisito a pessoa estar recém formada ou cursando o último período do curso universitário relacionado à computação. Neste processo, fazemos uma boa quantidade de entrevistas e tenho notado que as pessoas saem sem saber o essencial.

E por essencial quero dizer esta pergunta: "o que é uma estrutura de dados? Cite ao menos duas descrevendo-as e diga aonde poderiam ser aplicadas."

(detalhe: eu não faço mais provas escritas, todas são orais justamente para poder extrair conhecimento do candidato)

São três perguntas portanto. De um total de 50 entrevistas, 92% não souberam responder "o que é uma estrutura de dados? Cite ao menos duas". Claro, isto ocorre em Belo Horizonte, não sei como está em outros estados.

Não saber citar ao menos 2 já me choca, pois se você viu na faculdade, sabe ao menos o nome de uma se levou bomba na matéria. E é aí que a coisa fica assustadora, quando percebo que a maior parte das pessoas que respondem a esta questão estão terminando o curso sem repetir matéria alguma.

Vocês estão vendo este tipo de comportamento também?

Ok: parte da culpa na formação (a maior) é do aluno. Mas não saber sequer o nome da coisa apresenta uma boa parcela de falha na instituição de ensino também.

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Respostas a este tópico

Bacana ver esta thread no momento que estou passando por isso aqui em campinas.

Nós temos aqui 2 cenários:

1- Estagiários saindo da unicamp e outras universidades privadas com um ótimo conhecimento

Nos nossos programas de estágio começamos geralmente com 100 pessoas e conseguimos trazer no máximo 10 para a rodada de entrevista em grupo. Porém dos 10 que chegam lá, praticamente todos são de boas qualidade.

2- Profissionais já no mercado a anos e sem conhecimento básico sólido.

Na última rodada de de contratações entrevistamos 15 profissionais. Depois de um processo onde também só realizamos perguntas pois já é o suficientes para avaliar, somente 1 candidato atendia aos requisitos. 

Desta vez o que mais me chamou a atenção é o rumo que as pessoas estão dando para as suas carreiras:

- O profissional forma aparentemente sem alguns conhecimentos básicos.

- Ele tem oportunidade de aprender no mercado, mas acaba trabalhando em alguma função onde ele permanece "estável" e sem necessidade de desafios.

- No final a estabilidade acaba e o profissional não está pronto e não possui conhecimentos sólidos.

Na minha humilde opinião o problema é um conjunto de muitas coisas colocadas aqui. Infelizmente eu fiz análise de sistemas em uma faculdade sem conceito algum, me arrependendo porque entrei achando que a grade curricular iria me trazer grande ganho de conhecimento, sendo que naquele momento eu já trabalhava com desenvolvimento. Se pudesse voltar ao tempo com certeza escolheria outra instituição e um curso mais avançado como Ciências da computação, logicamente que aprendi algumas coisas nos 4 anos de faculdade, tive excelente professores em algumas matérias, porém a percentagem de aproveitamento é muito baixa se pensando nos 4 anos.

Porém me dediquei bastante na faculdade e sempre corri atrás por conta própria, tenho certeza que tenho mais conhecimento que alguns alunos de faculdades com mais nome e de cursos mais avançados, porém foi muito perceptível que nesta turma de formandos menos de 10% realmente se dedicaram ao curso, por isso neste momento acho que falha o aluno em não se dedicar e falha a instituição de ensino que está pensando somente na grana e não avalia o aluno adequadamente. Quanto ao ensino publico realmente não posso opinar.

Dos estagiários que entram aqui na empresa se percebe que alguns estão na área porque trabalhar com TI está na moda, mal sabem mexer no windows, linux e terminal querem distância. Conhecimento em programação com nível baixo e em alguns casos se sente a falta de interesse em buscar conhecimento, parecem que entram na área achando que trabalhar com TI é mesma coisa que ficar no face ou no whats. Se estão assim agora em início de carreira, imagino quando chegar lá na frente. E ai me pegunto, será que não falha a empresa/gestor em contratar pessoas com estes perfis? Sabemos que pessoas podem mudar, aprender e evoluir, mas será que a maioria das empresas gerencia a carreira destes perfis para que melhorem? Creio que não.

Posso estar totalmente errado, mas quando tive meu computador foi amor a primeira a vista, fazia coisas em Java que na época nem sabia que era Java, tinha interesse em ferrar com o computador para aprender, hoje sinto que com esse excesso de tecnologia as coisas aparentemente não tem a mesma graça que antigamente víamos.

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