Na opinião de vocês, como as empresas vêem o arquiteto de software?

Na minha impressão, ao menos em Belo Horizonte, muitas ainda o confundem com um desenvolvedor senior++.

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Respostas a este tópico

Kiko,

o papel do arquiteto de software vem se consolidando no mercado. Quanto mais bem definido o processo da empresa, mais claro é o papel do arquiteto. Acredito que os profissionais estão procurando aprender mais sobre arquitetura e existe uma transformação em função disso.


É muito bom ler isto Adriano: bastante animador!

Mas você observa esta tendência fora das empresas cujo foco é TI também? 


Adriano Tavares disse:

Kiko,

o papel do arquiteto de software vem se consolidando no mercado. Quanto mais bem definido o processo da empresa, mais claro é o papel do arquiteto. Acredito que os profissionais estão procurando aprender mais sobre arquitetura e existe uma transformação em função disso.

Oi gente.

Da minha experiência na Spread (MSA) e agora na IBM, o arquiteto é visto cada vez mais como um "embaixador técnico" da empresa junto ao cliente. É a minha impressão.

Ao mesmo tempo que o arquiteto é visto nessas duas empresas (em escalas diferentes, claro) como algo acima do desenvolvedor sênior (talvez até um cargo que justifique o salário...) mas também como o cara que prepara provas de conceito para um potencial cliente, participando um pouco do processo de venda mesmo.

Acho que existe um pouco de disparidade entre o que o desenvolvedor vê como o trabalho de arquitetura (definir padrões, garantir atendimento de requisitos não funcionais de seguranca, desempenho, escalabilidade) com o que a empresa espera que o arquiteto faca (grosso modo, "tô pagando caro por este cara, quero ver o retorno dele no caixa da empresa").

Na minha opinião, quem almeja o posto de arquiteto deve manter um olho no lado técnico e outro no lado estrategico da empresa mesmo.

Henrique, 

Engraçado ler esse post, pois era um discussão que eu estava tendo com um colega de trabalho (Arquiteto Sr.) há 30 minutos atrás, durante o almoço. Trabalho em uma empresa de capitalizações no RJ, no área de Arquitetura (minha função é de Analista Sênior / Arquiteto Jr.) e entramos nesse assunto justamente porque aqui na empresa, a nossa gerência ainda não tem informação sólida sobre o nosso cargo, e acham que devemos ser desenvolvedores, analistas, fazer o trabalho de definir padrões e etc, e ainda dar suporte à algumas aplicações... No Brasil o cargo de arquitetura ainda não está muito bem definido, portanto, querem um "faz tudo" (claro que não estou generalizando, pois acredito que existam empresas que sabem claramente o papel do arquiteto).

Obs.: Parabéns pelo livro... Outra coincidência é que estou lendo atualmente o seu livro sobre Spring que você publicou na Casa do Código.

Bacana ouvir isto Danilo, valeu!

Sabem: ainda vejo uma enorme distância entre nossa percepção de arquitetura e a das empresas. 


Danilo Buzar disse:

Henrique, 

Engraçado ler esse post, pois era um discussão que eu estava tendo com um colega de trabalho (Arquiteto Sr.) há 30 minutos atrás, durante o almoço. Trabalho em uma empresa de capitalizações no RJ, no área de Arquitetura (minha função é de Analista Sênior / Arquiteto Jr.) e entramos nesse assunto justamente porque aqui na empresa, a nossa gerência ainda não tem informação sólida sobre o nosso cargo, e acham que devemos ser desenvolvedores, analistas, fazer o trabalho de definir padrões e etc, e ainda dar suporte à algumas aplicações... No Brasil o cargo de arquitetura ainda não está muito bem definido, portanto, querem um "faz tudo" (claro que não estou generalizando, pois acredito que existam empresas que sabem claramente o papel do arquiteto).

Obs.: Parabéns pelo livro... Outra coincidência é que estou lendo atualmente o seu livro sobre Spring que você publicou na Casa do Código.

O comentário do Danilo Buzar é muito próximo da minha percepção.

Percebo que ainda há uma distância imensa entre a visão de nós, que nos interessamos pelo assunto arquitetura de software e o das empresas que precisam deste tipo de serviço. Quando fui fazer meu TCC sobre assédio moral em fábricas de software (http://www.itexto.net/devkico/?p=1385) vi esta confusão entre desenvolvedor senior e arquiteto se manifestar sob a forma de inúmeros relatos que tocavam neste assunto.

Em conversas com colegas de profissão também vejo a mesma incompreensão se manifestando. O que me pergunto é: será que não convém a nós ajudar a minimizar esta má percepção das funções? O que posso fazer? No dia a dia, no seu local de trabalho, a resposta é simples, mas e culturalmente? Me pergunto inclusive se não haveria um fator ideológico por trás desta má percepção ( http://www.itexto.net/devkico/?p=1460 ). Digo isto por que vejo tanta gente se dizendo arquiteto e atuando como programador, mesmo em empresas de TI, muitas vezes como mero "nome de função" que justificaria um salário maior.

Ou ainda pior: o sujeito ser contratado como arquiteto, o contratante acreditar que está contratando a pessoa para a função arquiteto e, na prática, acabar o disponibilizando para o trabalho de desenvolvedor.

(diga-se de passagem, questiono inclusive o termo "desenvolvedor" e todos os nomes de funções e cargos em nossa área, mas isto seria assunto para outra discussão)

Fora das empresas de TI eu vejo que o arquiteto é visto como um consultor, um tipo de especialista em TI. E a expectativa é que ele consiga dar respostas a problemas que muitas vezes são de negócio, processo ou de infraestrutura e não apenas de aplicação. 

Henrique Lobo Weissmann disse:


É muito bom ler isto Adriano: bastante animador!

Mas você observa esta tendência fora das empresas cujo foco é TI também? 


Adriano Tavares disse:

Kiko,

o papel do arquiteto de software vem se consolidando no mercado. Quanto mais bem definido o processo da empresa, mais claro é o papel do arquiteto. Acredito que os profissionais estão procurando aprender mais sobre arquitetura e existe uma transformação em função disso.

Bom Kiko, independente desse entendimento das empresas, há vagas para quem entende de arquitetura! :) Existe um conhecimento aí que está sendo valorizado de fato e está dando resultado, senão ninguém estaria contratando.


Henrique Lobo Weissmann disse:

Bacana ouvir isto Danilo, valeu!

Sabem: ainda vejo uma enorme distância entre nossa percepção de arquitetura e a das empresas. 


Danilo Buzar disse:

Henrique, 

Engraçado ler esse post, pois era um discussão que eu estava tendo com um colega de trabalho (Arquiteto Sr.) há 30 minutos atrás, durante o almoço. Trabalho em uma empresa de capitalizações no RJ, no área de Arquitetura (minha função é de Analista Sênior / Arquiteto Jr.) e entramos nesse assunto justamente porque aqui na empresa, a nossa gerência ainda não tem informação sólida sobre o nosso cargo, e acham que devemos ser desenvolvedores, analistas, fazer o trabalho de definir padrões e etc, e ainda dar suporte à algumas aplicações... No Brasil o cargo de arquitetura ainda não está muito bem definido, portanto, querem um "faz tudo" (claro que não estou generalizando, pois acredito que existam empresas que sabem claramente o papel do arquiteto).

Obs.: Parabéns pelo livro... Outra coincidência é que estou lendo atualmente o seu livro sobre Spring que você publicou na Casa do Código.

Olá pessoal, ótima discussão.

Eu acredito que um arquiteto não vai ser menos arquiteto se atuar pontualmente como desenvolvedor sênior ou projetista. Muitas vezes os arquitetos são os profissionais mais seniores da equipe técnica, nada mais natural, na minha opinião, do que atuar como desenvolvedor sênior em algum momento. Em alguns casos, essa é a única forma de transmitir a definição arquitetural, pois nem sempre há espaço para documentação detalhada ou mesmo sem detalhes.

Por outro lado, pode acontecer de a empresa se aproveitar dessa senioridade do arquiteto para atividades que visam apenas o curto prazo (apagar incêndios), se esquecendo do papel estratégico da arquitetura. 

O fato é que a empresa espera um resultado e ele tem que vir, de uma forma ou de outra.

Concordo com você, Henrique. Trabalho numa multinacional de TI, em Goiânia, e aqui o papel do arquiteto já foi mais bem considerado. Há alguns anos já não se contratam mais arquitetos; no máximo contratam desenvolvedores sêniores. Quando algum arquiteto sai da empresa novos arquitetos não são contratados. Talvez seja pelo fato de que as empresas estejam conseguindo resultado contratando profissionais com salários menores que desempenham funções pontuais que seriam designadas a um arquiteto. Muitas vezes isso é um quebra-galho e os projetos correm um risco grande por não terem um especialista.

Em outras filiais desta empresa no Brasil sei que existe o papel de arquiteto, mas não sei se ele perdeu valorização tanto quanto aqui. Antigamente eram contratados como arquiteto, mas de fato lideravam projetos e durante algum tempo cuidavam da arquitetura.

Vejo vagas para arquitetos no RJ, SP, Brasília e em outras regiões e me dá vontade de ir pra lá, onde este papel parece ser mais consolidado.

Acho muito difícil o arquiteto ser contratado para esta função e não exercer papel de desenvolvedor, pelo menos durante um período nos projetos/demandas. A empresa, por mais que entenda o papel dele, vai querer que ele seja produtivo e aproveite deste conhecimento técnico e expertise durante a implementação do software.

Henrique Lobo Weissmann disse:

O comentário do Danilo Buzar é muito próximo da minha percepção.

Percebo que ainda há uma distância imensa entre a visão de nós, que nos interessamos pelo assunto arquitetura de software e o das empresas que precisam deste tipo de serviço. Quando fui fazer meu TCC sobre assédio moral em fábricas de software (http://www.itexto.net/devkico/?p=1385) vi esta confusão entre desenvolvedor senior e arquiteto se manifestar sob a forma de inúmeros relatos que tocavam neste assunto.

Em conversas com colegas de profissão também vejo a mesma incompreensão se manifestando. O que me pergunto é: será que não convém a nós ajudar a minimizar esta má percepção das funções? O que posso fazer? No dia a dia, no seu local de trabalho, a resposta é simples, mas e culturalmente? Me pergunto inclusive se não haveria um fator ideológico por trás desta má percepção ( http://www.itexto.net/devkico/?p=1460 ). Digo isto por que vejo tanta gente se dizendo arquiteto e atuando como programador, mesmo em empresas de TI, muitas vezes como mero "nome de função" que justificaria um salário maior.

Ou ainda pior: o sujeito ser contratado como arquiteto, o contratante acreditar que está contratando a pessoa para a função arquiteto e, na prática, acabar o disponibilizando para o trabalho de desenvolvedor.

(diga-se de passagem, questiono inclusive o termo "desenvolvedor" e todos os nomes de funções e cargos em nossa área, mas isto seria assunto para outra discussão)

Senhores o que acredito que falta para as empresas é contratar profissionais com experiência e formação em Arquitetura de Software. Para isso é necessário entender o papel que o mesmo irá efetivamente exercer dentro da empresa. As empresas que vejo que possuem uma visão distorcida, são empresas que já possuem um histórico de contratações deturbadas, uma visão ou ideologia vem de cima não de baixo. O que podemos fazer para ajudar, é sempre estar estudando sobre o assunto e quando tivermos oportunidade esclarecer as pessoas e esperar que as outras pessoas da nossa área fassam a mesma coisa.

Na prática para muitas empresas o cargo de arquiteto é apenas uma solução burocrática para justificar o aumento de salário para um desenvolver sênior que por algum motivo justificou ter um salário maior que os demais desenvolvedores do mesmo nível, ou acima da média de mercado para tal cargo.

E de mãos dadas com esse fato está o problema de que na maioria das empresas o "arquiteto" não realiza tarefas de arquiteto simplesmente porque ninguém sabe o que realmente é arquitetura de software. Em lugar de ver o arquiteto como alguém que usa a arquitetura para criar soluções as empresas vêem o arquiteto como alguém que usa a própria experiência para resolver problemas (como disse o Leo, apaga incêndios).

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