Gestão 3.0 – Para Líderes Ágeis – Parte 1

 

Olá Pessoal.

Este post é o primeiro de uma série de posts que pretendo publicar, em formato de resenha, sobre "livros que estou lendo". Como partida, fiz a primeira de várias outras do livro Management 3.0 Leading Agile Developers, Developing Agile Leaders.  O livro pretende mostrar como ser um bom gerente ágil. A base para isso é o entendimento sobre pessoas e sistemas e a maneira como as pessoas pensam sobre sistemas. Antes de tudo, os gerentes devem compreender como sistemas sociais funcionam.

Introdução



GESTÃO 1.0 = HIERÁRQUICA

Representada por organizações hierarquizadas, onde o comando parte da alta gerência funcional, de cima para baixo. Aqueles que estão no alto da hieraquia tem altos salários, grandes egos. em contrapartida,  aqueles que estão na base da hierarquia normalmente tem baixos salários, poucas responsabilidades (especializado), e pouca motivação para fazer um bom trabalho. Fortemente baseada nos modelos fordistas e tayloristas do início do século. Sua gestão é focada no comando controle.

GESTÃO 2.0 = MODISMO

São as organizações essencialmente “Gestão 1.0”, mas que contém pessoas que já perceberam que esse modelo não funciona bem “fora da caixa”. Então são criados vários modelos adicionais de serviços e processos como BSB, six-sigma, ITIL, Cobit, Qualidade total, entre outros.

GESTÃO 3.0 = COMPLEXIDADE

É uma gerência que percebeu que a organização é uma rede, formada por pessoas, seus relacionamentos e sua complexidade social e não por divisões funcionais hierárquicas. Abomina o comando-controle e advoga por uma cultura de liderança, holística, orgânica, enxergando a organização como um sistema (complexo) vivo e não apenas como uma máquina.

 

Por que as coisas não são tão simples?


CAUSALIDADE

O determinismos causal infere que as coisas que acontecem hoje são causadas por outras coisas que aconteceram antes. Podemos utilizar o determinismo causal, por exemplo, para prever com precisão quando será a próxima vez que o cometa Halley passará próximo da atmosfera terrestre, com base na última vez que ele passou. Nesse sentido, o determinismo causal habilita que os desenvolvedores à projetar, planejar e prever tudo o que deverá ser feito no projeto de desenvolvimento de software. Se abstraírmos qualquer problema de bug, alteração de requisitos ou catástrofe interplanetária, a causalidade pemite prever com bastante precisão.  Pena que não podemos utilizar também cálculos astronômicos para determinar a complexidade sistêmica onde projetos de software estão inseridos. lol.

COMPLEXIDADE

Complexidade não tem relação com várias coisas pra fazer simultaneamente ou com em fazer coisas grandes, a complexidade é intrínseca. Não obstante, várias teorias como por exemplo: teoria dos sistemas dinâmicos (Dynamical systems theory), teoria do caos (chaos theory), teoria dos jogos(game theory),  tentam explicar por que alguns fenômenos são imprevisíveis e não podem ser calculados apenas com a experiência e observações empíricas. O campo da ciênica que estouda esses fenômenos é nomeada como teoria da complexidade (complexity theory).

A teorias da complexidade, de certa forma, é um "conforto" para gerentes, lideres de time e gestores em organizações que desenvolvem software. Isso significa que nem tudo está perdido, há um novo paradigma científico, baseado na complexidade de sistemas, que ajuda a entender o problema da volatilidade e incertezas em desenvolvimento de softwares.

 REDUCIONISMO

O reducionismo é a abordagem que se baseia na desconstrução de algo em partes menores, para analisá-las e aí sim entender o todo,. Entendimento do sistema pelo entendimento das partes. Essa técnica pode ser utilizada, por exemplo, para desconstruir um computador para entender como ele funciona, para dissecar um animal para entender como seus orgãos internos funcionam. No entanto, em algumas áreas, onde a imprevisibilidade é uma constante, a utilização da abordagem reducionista não é capaz de determinar, por meio da desconstrução e análise das partes, o entendimento do todo. Enquadra-se nisso, estudos sobre: organismos, consciência humana, as economias, climas, e projetos de software.

HOLISMO

O Holismo é a ideia de que o comportamento do sistema não pode ser completamente determinado pelos seus componentes isolados.  A visão holística pode ser vista como o oposto ao reducionismo, onde a visão do sistema como um todo determina comportamentos importantes para ele.

GERENCIAMENTO ÁGIL

Uma das bases do desenvolvimento ágil de software está na teoria da complexidade. Os valores e princípios ágeis  corroboram para reconhecer que o determinismo causal é insuficiente para entregar projetos de sucesso. Conceitos bem conhecidos como auto-organização, multi-disciplinaridade, autonomia são oriundos da ciência da complexidade.

O MODELO DA GESTÃO 3.0

O modelo da gestão 3.0 mostra como gerenciar equipes sabendo que os sistemas são complexos, não lineares, não previsíveis e carentes de adaptabilidade. Para o entendimento de sistemas complexos, é necessário, a priori, uma visão holística do todo como objetivo de estudar a complexidade social. A gestão 3.0 é um modelo de gestão ágil que aplica a teoria dos pensamentos complexos (complexity thinking) em equipes de desenvolvimento de software ágil. Sob o olhar do pensamento dialético, esse modelo compreende os encalsos do reducionismo no ambiente de desenvolvimento de software (tese), aceita a oposição e acredita em uma visão holística, sistêmica e social (antítese), para criar uma nova ideia denominada gestão 3.0 (síntese). A figura abaixo ilustra o modelo de gestão 3.0.

 

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Comentário de Vinicius Serpa em 25 setembro 2011 às 21:53
Muito legal a sua iniciativa, não conhecia o livro. Já li algumas coisas sobre a complexidade do gerenciamento de projetos de software (agile, processos empíricos, brooks, etc) e me parece que esse livro aprofunda ainda mais essas questões. Vou aguardar as outras resenhas.
Comentário de Edgard Davidson em 25 setembro 2011 às 11:40

Olá  Leonardo.

É verdade, existem algumas formatações bizarras aqui no post do pangea.... Mas no meu blog (post original) não há. http://edgarddavidson.com/?p=2107. Originalmente eu escrevi no word, adicionei algumas formatações e só depois fiz um copy and past para o wordpress do meu blog. Como tudo que eu posto no meu blog é agregado automaticamente no blog do pangea, algumas formatações aplicadas lá podem, eventualmente, não ficar muito boas aqui. Vou começar a observar isso. Obrigado pela obrservação.

 

Com relação ao paragrafo que não ficou claro para você, vou tentar explicar. Mas antes é necessário que você entenda um pouco em que consiste o raciocínio dialético.

 

O do raciocínio dialético é na contraposição e contradição de opostos de ideias para formação de outras ideias. No método dialético existem três proposições: a tese, a antítese e a síntese. A proposição inicial do modelo dialético é a tese; uma afirmação ou ideia inicialmente dada. O segundo estágio é a antítese que é a negação ou oposição à proposição inicial para mostrá-la inadequado. Da contraposição e conflito entre a tese e a antítese surge a síntese que é a nova afirmação ou ideia resultante desse conflito. Contudo, com o tempo, a síntese também pode se mostrar inadequada de alguma forma. Essa síntese servirá então como tese para um novo ciclo dialético.

 

Entendido brevemente o em que consistem o pensamento dialético. Eu assumi o reducionismo, com definido no texto, como uma verdade dada, ou seja uma tese. Não obstante, para tornar essa tese inadequada no ambiente de desenvolvimento de software faz-se necessário uma visão mais holística, como um sistemas complexo, com grande foco na relação entre as pessoas, ou seja, a antítese da tese dada. Por fim, interpretei que o conflito entre o reducionismo e a tese, gera uma nova ideia denominada gestão 3.0 que é abordada na íntegra no livro Management 3.0 Leading Agile Developers, Developing Agile Leaders

 

Espero que tenha ficada mais claro e que eu não esteja viajando demais :)  

 

 

 

Comentário de Leonardo Kenji Shikida em 25 setembro 2011 às 11:14

acho que vc devia rever o copy and paste. Veio umas formatações de fonte bizarras no seu post.

 

e queria que vc me explicasse um pouco melhor o que significa este parágrafo

 

"...Sob o olhar do pensamento dialético, esse modelo compreende os encalsos do reducionismo no ambiente de desenvolvimento de software (tese), aceita a oposição e acredita em uma visão holística, sistêmica e social (antítese), para criar uma nova ideia denominada gestão 3.0 (síntese)..."

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