Na definição da teoria da criação do conhecimento organizacional [Nonaka e Takeuchi, 1995] definiram duas dimensões para a criação do conhecimento: 

i) a dimensão epistemologica: onde é feita uma distinção entre o conhecimento tácito e o explícito para a criação do conhecimento. Essa distinção corrobora com a estabelecida por [Polanyi, 1967]. O conhecimento tácito é individual, pertence a pessoa é específico ao contexto e é difícil de ser registrado e compartilhado. Já o conhecimento explícito pode ser registrado em meios físicos ou digitais em linguagem natural, formal, ou sistêmica;

 

ii) a dimensão ontológica: onde enfatiza a criação do conhecimento organizacional em oposição à criação do conhecimento individual, passando por vários níveis de criação do conhecimento (individual, grupal, organizacional e inter-organizacional).  Segundo [Nonaka e Takeuchi, 1995] o conhecimento só pode ser criado pelos indivíduos. O papel da organização é apoiar e motivar os indivíduos criativos e lhe proporcionar um ambiente adequado  para a criação do conhecimento. Neste contexto, o conhecimento organizacional é o resultado do conhecimento individual amplificado, registrado e mantido pela organização.

 

Na teoria da criação do conhecimento organizacional, conforme ilustrado na figura \do espiral do conhecimento, as dimensões epistemológica e ontológica suportam o "`espiral"' da criação do conhecimento [Nonaka e Takeuchi, 1995]. A referida espiral surge quando, por meio de interações entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, existe uma amplificação do conhecimento começando pelo conhecimento do indivíduo, passando pela formação do conhecimento do grupo, estabelecendo o conhecimento da organização e por fim convergindo no conhecimento da interorganização.

No centro dessa teoria, conforme ilustrado na figura no modelo SECI abaixo, está os quatro modos de conversão do conhecimento criados a partir da interação entre tácito e explícito. Esses modos de conversão foram um modelo que descreve como o conhecimento tácito é criado através da socialização, convertido de tácito para explícito através da externalização,  recombinado com outras formas de conhecimento explícito através da combinação e convertido, novamente, em conhecimento tácito através da internalização. 

i) socialização: quando o conhecimento tácito se amplifica e é formado um novo conhecimento tácito. A socialização acontece quando há compartilhamento de experiências por meio observações, de forma empírica,  diretamente de um indivíduo para outro, com utilização de linguagem ou apenas através de observações. 

ii) externalização: quanto o conhecimento tácito se amplifica e é formado um novo conhecimento explícito. A externalização acontece quando o conhecimento tácito é registrado e pode ser compartilhado em um formato documental, metáfora, mapa mental, modelos, conceitos, hipóteses, etc.

iii) combinação: quanto o conhecimento explícito se amplifica e é formado um novo conhecimento explícito. A combinação acontece quando um conhecimento já externalizado é compilado com outros conhecimento também já extenalizados a fim de gerais um novo conhecimento externalizado. Normalmente a combinação ocorre através de documentos, reuniões, conversas ao telefone ou em comunicação computadorizada.

iv) internalização: quando o conhecimento explícito se amplifica e é formado um novo conhecimento tácito. A internalização acontece quando o indivíduo sintetiza e incorporação um conhecimento explicito para seu conhecimento tácito. A internalização é concebido com o "aprender fazendo", e incorpora no indivíduo o "knowhow" técnico.

 

Seci

O paradigma de [Nonaka e Takeuchi, 1995] sobre a criação do conhecimento destaca tanto o processo de criação do conhecimento quanto as condições sob as quais o conhecimento é criado. Essencial para esse paradigma é a interação entre o conhecimento tácito e explícito.  A criação do conhecimento é uma espiral, conforme ilustrado na figura do espiral do conhecimento e descrita pelo modelo SECI.

Referência:

[Nonaka e Takeuchi, 1995] Ikujiro Nonaka and Hirotaka Takeuchi. The knowledge-creating company: how Japanese companies create the dynamics of innovation. Oxford University Press, New York, 1995.

[Polanyi, 1967] Michael Polanyi. The tacit dimension. An anchor book: philosophy. Doubleday, Garden City, NY, 1967.

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